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A Difícil Arte de Inovar

Inovar, inovar e inovar, este é o assunto mais comentado e discutido nos últimos tempos, a toda hora somos chamados para inovar. Temos que inovar nos processos de negócio, nos serviços e produtos, no conhecimento, na aplicação da tecnologia, e até na forma como educamos nossos filhos e nos relacionamos com nossos cônjuges. Temos que inovar como nunca, somos forçados a inovar em uma velocidade sem precedentes.

Isto não quer dizer que já sabemos o que é inovar, gestores ainda confundem inovação com geração de idéias, os tipos e conceitos de inovação, bem como métodos e indicadores para gestão da inovação ainda são desconhecidos de muitas empresas que se dizem inovadoras. Ou seja, por vezes idéias revolucionárias para criação de novos bens, produtos e serviços, quando tratadas a parte das ciências da inovação, e desconexas com as políticas e práticas de inovação adotadas pelo País, terminam em grandes desilusões, em desperdícios de esforços que caracterizam perda de tempo e dinheiro.

Registre-se aqui que inovação, conforme a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE, é a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas. Ela contribui não somente para a melhoria da qualidade dos produtos, mas também reduz custos, amplia a participação das empresas no mercado e permite abrir novos mercados.

A inovação pode trazer benefícios para as nações, indústrias, empresas, pessoas e para o conhecimento coletivo, a inovação abrange clientes, fornecedores, novos mercados, novos canais, novos meios de fazer negócio, ela pode ser incremental ou radical, pode ser aplicada a produtos e serviços, enfim inovação é uma forma de gerar novo valor para a sociedade, diferenciando a empresa de sua concorrência.

Porém o ponto que quero trazer para discussão, além do fraco conhecimento, por parte da comunidade, sobre o conteúdo científico deste tema, é o quanto as empresas estão preparadas para INOVAR. É na perspectiva de aprendizado e crescimento da organização, ou seja, nas competências e cultura que a empresa tem (melhor dizendo, que não tem) é que residem os maiores bloqueios para a gestão da inovação.

Diversos autores, entre eles Penrose (1959), Nelson (1982), Teece (1996), argumentam que as empresas vencedoras no mercado global têm sido capazes de demonstrar resposta às oportunidades de forma rápida e flexível, tendo a gestão da inovação aliada à capacidade de coordenar e reorientar as competências internas e externas da empresa. Estes autores também reforçam que as vantagens competitivas não são mais geradas apenas pela posição que seus produtos ocupam no mercado, na verdade eles re-invidicam mais atenção para as competências idiossincráticas e difíceis de imitar que as empresas possuem, pois para eles estes são os ativos que podem gerar vantagem competitiva sustentável.

De fato, muitas abordagens que analisam a competição entre empresas ignoram o desenvolvimento, a acumulação, combinação, e proteção das competências e capacidades únicas da empresa, como fator diferencial de concorrência.

Os argumentos de que as competências são difíceis de imitar e não são negociadas/compartilhadas precisam ser revistos, as competências de hoje são mais dinâmicas, pois precisam estar alinhadas às mudanças de mercado, as empresas precisam ter capacidade de renovação das competências de forma a obter congruência com o ambiente de negócios que está em constante mudança.

O termo "dinâmico“ refere-se à capacidade de renovação das competências para atender as necessidades de inovação em um ambiente onde o time-to-market é crítico, a taxa de mudança tecnológica é rápida e a natureza da concorrência e dos mercados futuros difícil de determinar.

O termo “capacidade" enfatiza o papel fundamental da gestão estratégica em adaptar, integrar e reconfigurar adequadamente, as competências internas e externas da organização para corresponder às exigências de um ambiente em constante transformação.

Portanto, entendo que as empresas que não estão prontas para gerir suas competências de forma dinâmica e orquestrada, podem ter mais dificuldade para inovar, para coordenar as rotinas de alta performance e gerar vantagem competitiva.

Um forte movimento que está auxiliando as empresas a entenderem melhor o que é a inovação, o que deve ser feito para inovar, e como se prepara o ambiente organizacional para promover e gerir a inovação é o intercâmbio entre Governo, Empresa e Universidade, conhecido como “triple hélice”. Sem a colaboração entre os executivos da empresa, os pesquisadores das universidades e os centros de pesquisa do governo, as idéias terão grande dificuldade para se tornarem inovação, e será quase impossível que esta inovação tenha uma difusão e propagação adequada para geração de resultados finenceiros.

Roberto Pereira é diretor da Primora.

 
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